domingo, 16 de junho de 2013

Ordem para ataque a viatura partiu de presídio

Delegado indicia Dodô por morte de agente do Departamento do Sistema Penitenciário por 11 tentativas de homicídio. Sindipol diz que houve falha no transporte do detento


A ordem para o resgate de 11 detentos que estavam sendo transportados em uma viatura atacada na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), próximo à Ilha das Flores, em São Gonçalo, no fim da noite da última quarta-feira, partiu do Complexo Penitenciário de Bangu. Depois de ouvir os 11 detentos que estavam no veículo, policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DNHSG), responsáveis pelo caso, concluíram que o pedido de resgate foi articulado de dentro da cela pelo traficante Lindomar de Oliveira Brante, o Dodô, de 38 anos, líder do tráfico no Complexo da Reta, em Venda das Pedras, Itaboraí. Na ação criminosa o agente do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), Antonio Pereira, de 38 anos, foi morto por um dos traficantes.
“Por isso Dodô está sendo indiciado por homicídio, pela morte do agente penitenciário, por tentativa de homicídio pelas outras 11 pessoas que estavam dentro da viatura, sendo o outro agente e os demais 10 presos. Estamos levantando agora quem eram os homens que participaram da ação”, afirmou o delegado Wellington Vieira, titular da especializada.
O laudo inicial do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constatou que a viatura que transportava os presos foi alvejada por 10 tiros de fuzil. O tiro que atingiu um dos detentos que estava sendo transferido transpassou a cabine e entrou no local onde os presos estavam. Segundo as informações colhidas pelos agentes no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, durante o transporte Dodô sabia que a tentativa de resgate estava próxima.
 “Quando percebeu o ataque, Dodô se jogou no chão, o que demonstrou que ele sabia o que estava acontecendo”, disse o titular.
O corpo do agente foi enterrado na manhã da última sexta-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. Antonio era casado há 15 anos, tinha três filhos e trabalhava no Desipe há 10 anos. Segundo a mulher dele, o agente sempre se queixava da falta de homens no transporte de presos.

Falha – De acordo com o diretor do Sindicato dos Policiais Civis, Franklin Bertholdo, o transporte dos 11 detentos apresentou falhas na segurança, “levando-se em consideração a periculosidade de um dos detentos”. Para Franklin, casos como este precisam de uma escolta e um número maior de agentes.
“Houve um grave problema no transporte destes presos. Não foi observado que entre os detentos estava um homem importante para o narcotráfico de uma região. O itinerário também tinham que ser levado em conta. É inadmissível não haver uma escolta a este veículo. O número de agentes também foi insuficiente, não podemos contar com o motorista para revidar a um ataque, já que ele está dirigindo. Havia apenas dois agentes aptos a revidar quando o correto nestes casos era ter no mínimo seis. É preciso apurar de onde partiu a falha, pois uma vida se perdeu neste caso”, declarou


O FLUMINENSE

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