terça-feira, 18 de junho de 2013

Penitenciária tem 56 detentos com tuberculose

Pollyana Araújo

Do G1 MT
Na Penitenciária Central do Estado, maior unidade prisional de Mato Grosso, há 56 reeducandos com diagnóstico de tuberculose e recebem tratamento dentro da unidade, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). No local, onde são abrigados um total de 2.050 detentos, um preso morreu neste domingo (16) supostamente vítima da doença. Porém, fazia tratamento contra pneumonia.
O superintendente de Gestão Penitenciária da Sejudh, Gilberto Carvalho, afirmou que o tratamento contra a doença é simples e feito no interior do presídio mesmo. "O tratamento é feito na unidade a partir de uma sequência de antibióticos e é gratuito. Não faltam medicamentos porque já vêm direto do governo federal", explicou. Ele disse que, normalmente, tem entre 40 e 60 reeducandos infectados com tuberculose na penitenciária.
A grande rotatividade de presos na unidade prisional dificulta o combate à doença, conforme Gilberto Carvalho. "Alguns já entram infectados, enquanto outros param o tratamento após sair da prisão porque tem que ir atrás do remédio e depois voltam para a unidade com grau mais avançado da doença", disse, ao exemplificar que quando se para o tratamento com antibióticos a bactéria fica mais resistente, se tornando mais difícil combatê-la. "Esse ex-preso acaba retornando para o sistema e volta com uma tuberculose muito mais resistente ao tratamento", reafirmou.
Alan aparece na cela fazendo nebulisação para atenuar efeito da tuberculose (Foto: Arquivo Pessoal)Alan aparece na cela fazendo nebulisação para
atenuar tuberculose (Foto: Arquivo Pessoal)
Porém, em relação ao jovem Alan Silva Arruda, que morreu neste final de semana vítima da doença, o superintendente alega que a direção do presídio não sabia, pois os médicos que atenderam o paciente haviam diagnosticado pneumonia. "Nesse caso específico, a unidade não tinha conhecimento da tuberculose". O laudo do Instituto Médico Legal (IML) que irá apontar as reais causas da morte do reeducando deve ser emitido nessa semana.
Familiares de Alan, que cumpria pena há três anos na penitenciária, alegaram que ele teve tratamento negligenciado dentro da unidade prisional. A mulher dele, que preferiu não ter o nome divulgado, por exemplo, disse que o marido piorou na semana passada e que, na quinta-feira (13), não conseguia nem falar, nem se mexer.
Em uma fotografia obtida pela reportagem, ele aparece fazendo nebulização dentro da cela para melhorar a respiração. Colegas de cela do reeducando acionaram a polícia avisando que o rapaz estava morto em cima de uma cama. Nisso, ele foi encaminhado para a enfermaria da penitenciária, no sábado (15). No entanto, não resistiu e morreu.
O primeiro caso de morte supostamente provocada por tuberculose no maior presídio em Mato Grosso, neste ano, foi denunciado pelos próprios presos em ligações telefônicas feitas de dentro das celas. O uso de aparelho celular em unidades prisionais por detentos é proibido. Segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), bloqueadores serão instalados na unidade para coibir o ato ilícito. (Confira relato dos presos no vídeo no link http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2013/06/com-celular-presos-denunciam-morte-por-tuberculose-em-presidio-de-mt.html ).
Por telefone, um dos colegas de cela de Alan relatou à TV Centro América o que aconteceu. “Jogaram [ele] dentro da cela. Dissemos à polícia que ele estava passando mal. Ele acabou morrendo, falecendo na cama”, afirmou o detento.
A mulher de Alan, que concedeu entrevista, mas preferiu não se identificar, afirmou que o quadro clínico dele piorou na última semana e, para receber um atendimento de qualidade, seria necessário pagar pelo tratamento em uma unidade de saúde particular. “Ele já tinha sido identificado [com tuberculose]. Ali qualquer coisa que você tem que fazer tinha que pegar autorização e pagar exame aqui fora para ele ser atendido lá dentro”, disse.
“O meu marido começou a passar mal na última segunda-feira (10). Chegou na quinta-feira (13) ele não conseguia falar, andar e nem se mexer. Não comia e nem bebia”, complementou.

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