terça-feira, 16 de julho de 2013

Presos são decapitados e têm corações arrancados em rebelião

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De acordo com os familiares, o motivo da rebelião foi a proibição de entrada durante a visita íntima dos presos de uma mulher de um detento


Estadão Conteúdo

Dois presos foram decapitados e tiveram os corações arrancados durante uma rebelião na Penitenciária 1, de Itirapina, no interior de São Paulo, que durou cerca de 22 horas. Os detentos tomaram a penitenciária com 68 familiares dentro (pelo menos dez crianças) na manhã deste domingo e só terminaram o motim na manhã desta segunda-feira.
De acordo com os familiares, o motivo da rebelião foi a proibição de entrada durante a visita íntima dos presos de uma mulher de um detento. “Vim no sábado (13), normalmente, e ontem (15), quando fui entrar, disseram que eu não podia”, afirmou a mulher, de 21 anos, que pediu para não ser identificada. Após o início da rebelião e as mortes, ela foi autorizada a entrar.
Os presos fecharam o acesso ao pátio e às celas com colchões amarrados. Durante o protesto, dois presos foram mortos com golpes de estilete numa das celas. As cabeças e corações foram arrancados e jogados no pátio num latão para que a direção da penitenciária pudesse ver, relataram as mulheres de presos e agentes penitenciários.
“Não havia uma pauta específica de reivindicações. Eles tentaram pegar um agente penitenciário, mas não conseguiram. Com a chegada do Choque, decidiram pedir para as mulheres saírem e entregaram as armas”, afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários, João Alfredo de Oliveira. Os presos mortos foram acusados pelos demais detentos de serem informantes da polícia, afirmaram as mulheres dos detentos. “Não vimos eles serem mortos, só vimos depois os corpos.
Depois, foram jogados colchões por cima, por causa das crianças”, afirmou Maria Barbosa dos Santos, de 36 anos, com a filha Vitória, de 2 anos, no colo. Um dos mortos foi identificado como Antônio Washington, mais conhecido como “Exu”. Dois presos da P1 teriam assumido os assassinatos e foram levados para a delegacia de Itirapina para depor. Os nomes deles não foram divulgados até as 15h30. “Não éramos reféns, como foi dito. A gente estava com nossos maridos. O problema foi que suspenderam a comida lá dentro e depois cortaram a energia e a água”, afirmou uma outra mulher.
Por volta das 8h30 a PM entrou no presídio para ajudar na vistoria. Não foi preciso o uso de força pela polícia para invadir o pátio. Os presos decidiram entrar num acordo, afirmou o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários. Pelo menos 75 presos envolvidos no motim foram transferidos para outras penitenciárias de manhã, depois que a Tropa de Choque havia deixado a unidade.
A P1 de Itirapina tem capacidade para 210 detentos e hoje tem 692 encarcerados. Na unidade, estão presos que são impedidos de entrar nos presídios que são dominados por facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado divulgará uma nota oficial sobre o caso no fim da tarde.

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