quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mãe de Agente Prisional baleado espera que Cadu continue preso.


SOLTO EM 2013, ASSASSINO DE CARTUNISTA É SUSPEITO DE EFETUAR OS DISPAROS.
'ELE NÃO CONSEGUE MAIS VIVER EM SOCIEDADE', ACREDITA DONA DE CASA.

Vitor SantanaDo G1 GO
Darlene Fernandes Sousa, mãe de Marcos Vinícius Lemes da Abadia, em Goiânaia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)Mãe do agente prisional baleado reclama de impunidade (Foto: Vitor Santana/G1)
A família do agente prisional Marcos Vinícius Lemes da Abadia, de 45 anos, internado em estado grave após ser baleado na última quinta feira (28) em uma tentativa de assalto no Setor Bueno, em Goiânia, está inconformada com o crime. Para os parentes da vitima, o fato do suspeito de efetuar os disparos, Carlos Eduardo Nunes, conhecido como Cadu, estar em liberdade mesmo cometendo um duplo homicídio em São Paulo, em 2010, é o que mais causa revolta.
O agente penitenciário foi atingindo por dois tiros, um na cabeça e outro no braço. Ele está internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), em estado grave, e respira com a ajuda de aparelhos. "Se realmente foi ele [o Cadu], ele tem que ficar preso o resto da vida dele. Ele não consegue mais viver em sociedade", diz, comovida a mão de Marcos, a dona de casa Darlene Fernandes Sousa, de 67 anos.
Cadu confessou ter matado o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho dele, Raoni Vilas Boas, em Osasco (SP). Apesar disso, estava em liberdade porque ele possui esquizofrenia e a Justiça considerou que ele não poderia responder pelo ato.
Na tarde de segunda-feira (1º), Cadu foi preso após uma perseguição policial em Goiânia, segundo a polícia, dirigindo um carro roubado. Esse veículo havia sido levado durante o assalto no Setor Bueno, na noite de domingo (31), quando um jovem de 21 anos foi assassinado. Cadu também é suspeito de envolvimento nesse latrocínio.
Ainda segundo a mãe do agente prisional, no dia do crime, o filho saiu de casa dizendo que estava atrasado para o trabalho e que não iria almoçar em casa. "Desde então, ele nunca mais voltou. Depois disso, eu só recebi a notícia de que ele tinha sido baleado. Eu fui visitar ele no hospital, mas é muito difícil ver meu filho daquele jeito [internado na UTI do hospital]", completou. 
Marcos é o mais velho de três filhos. Para a tia Coraci Fernandes, a Justiça errou em dar a liberdade para Cadu. "O erro começou em São Paulo. O crime foi lá, tinha que ficar preso lá. Não tinha que vir para Goiânia atingir o meu sobrinho e matar um outro inocente”, disse.
Marcos de Abadia está internado em estado grave, em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Marcos de Abadia está internado em estado grave,
em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Já de acordo com a irmã da vitima, a consultora de vendas Maísa Lemes santos, 42, não restam duvidas de que Cadu é o autor dos tiros que acertaram a cabeça do agente prisional. "Eu acredito fielmente que foi ele quem atirou. Tem duas testemunhas que foram até a delegacia e reconheceram ele [suspeito]. Se ele não é capaz de responder pelos próprios atos, tem que ficar em um abrigo para sempre, recebendo o atendimento médico. Senão ele pode voltar e cometer outros crimes", defende.
Para a família, o sentimento que resta é o de esperança de que Marcos vai se recuperar e o desejo de que Cadu seja condenado por seus crimes. "A gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. É uma coisa que não tem como explicar o choque. Agora estamos em uma corrente de oração 24 horas por dia pela recuperação dele", disse a tia.
Trabalho voluntário
Marcos fazia trabalhos voluntários há mais de 20 anos, segundo a irmã, Maísa Lemes. "Ele tinha uma ONG [Organização Não Governamental]. Fazia trabalhos assistenciais com idosos e menores infratores em recuperação. O Marcão levava eles para os trabalhos alternativos, como pintar muro, calçadas, limpar lotes abandonados, prestar serviços para a comunidade”, relatou.
Ainda segundo a consultora de vendas, Marcos distribuía cestas básicas para famílias carentes e organizava festas para a terceira idade. Em uma de suas ações, retirou peças de caça-níqueis apreendidos e montou computadores para serem doados para escola pública.
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito de latrocínio em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM)Carlos Eduardo foi preso durante uma perseguição
policial (Foto: Divulgação/PM)
Liberdade
Após a prisão em 2010, Cadu foi incluído no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), em Goiânia, onde a família dele mora. Ele passou por tratamento em uma clínica psiquiátrica, mas, em agosto de 2013, a Justiça de Goiás considerou que ele podia receber alta médica. A decisão foi tomada pela juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções Penais. Segundo a decisão, Cadu estava apto a passar a fazer tratamento ambulatorial, em vez de ficar internado.
A juíza disse acreditar que não houve erro ao conceder liberdade, no ano passado, ao rapaz. "Tomei todas as precauções que estavam ao meu alcance, os relatórios, os laudos médicos. Não acho que houve um erro", afirmou em entrevista coletiva nesta terça-feira (2). Ainda de acordo com a magistrada, não há como prever o comportamento dos presos que cumprem medida de segurança.
A juíza ressaltou que Cadu era acompanhado mensalmente pela Justiça de Goiás e que "a vida dele estava controlada", fazendo faculdade de psicologia e trabalhando.
Cadu continuava a fazer tratamento contra esquizofrenia na rede pública de saúde do estado. A informação foi confirmada ao G1 pela superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, Mabel Bel Socorro. No entanto, diferente do que disse a juíza, a superintendente afirma que ele comparecia a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de três em três meses.“Temos registros de que ele continuava frequentando o Caps e, segundo a família, tomava a medicação corretamente e até estava trabalhando”, afirmou.
Sobre os novos crimes pelos quais Cadu é suspeito, a juíza Telma Aparecida explicou que ele será indiciado como um criminoso comum. No entanto, em função da esquizofrenia, ele poderá ser absolvido.
FONTE:http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/09/mae-de-agente-penitenciario-baleado-espera-que-cadu-continue-preso.html
MAIS:04/09/2014 10h21 - Atualizado em 04/09/2014 10h21

Defesa pede que vigilância de Cadu seja redobrada em presídio de Goiás

Assassino de cartunista foi indiciado por latrocínio e tentativa de latrocínio.
Advogado teme represálias, pois uma das vítimas é agente prisional.

Paula ResendeDo G1 GO
Cadu teve a prisão preventiva decretada na quarta-feira em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)Cadu teve a prisão preventiva decretada na
quarta-feira  (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Após ser indiciado pela Polícia Civil por latrocínio (roubo seguido de morte) e tentativa de latrocínio, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, conhecido como Cadu, 29 anos, passou a primeira noite no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia , na Região Metropolitana. Mesmo sozinho em uma cela, a defesa pede que seja reforçada a segurança do jovem, que é assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e o filho dele, Raoni Vilas Boas, em Osasco (SP).
“Um das supostas vítimas dele, o agente penitenciário Marcus Vinícius, era muito querido no ambiente, pode ser que haja represálias de terceiros. Além disso, ele mesmo pode tentar um suicídio. É preciso que seja redobrada a vigilância dele para resguardar a vida dele e de outros”, disse ao G1 o advogado Sérgio Divino Carvalho Filho.
A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus) informou que medidas protetivas foram tomadas e, por isso, Cadu está sozinho na cela e toma banho de sol separado dos demais. Em relação ao medo da defesa de supostas represálias, o órgão preferiu não se pronunciar.
Cadu é apontado pela Polícia Civil como o autor dos disparos que atingiram o agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes da Abadia, de 45 anos, durante um assalto, no dia 28. Encaminhado Hospital de Urgências de Goiânia após o crime, o agente penitenciário continua internado na Unidade de Terapia Intensiva, em estado grave.
O jovem também foi indiciado por roubar o carro do estudante de direito Mateus Pinheiro de Morais, de 21 anos, e assassiná-lo, no domingo (31). Em depoimento à polícia, Cadu negou ter cometido os crimes em Goiânia.
A defesa informou que ainda não teve acesso ao conteúdo dos inquéritos policiais. O advogado disse que vai aguardar o Ministério Público Estadual remeter a denúncia à Justiça, o que deve ser feito em cinco dias, para agir. Assim, por enquanto, Sérgio mantém a decisão de não pedir habeas corpus para o cliente com o objetivo de “resguardar sua integridade psicológica e física”.
Prisão preventiva
Carlos Eduardo estava em liberdade desde agosto de 2013, mas voltou a ser preso na segunda-feira (1º) após uma perseguição policial, quando estava no automóvel roubado de Mateus. No momento em que foi abordado pela polícia, conforme o delegado Thiago Damasceno, Cadu reagiu à e começou a atirar contra os policiais. Ele, inclusive, pulou do carro em movimento, de acordo com Damasceno. Ninguém ficou ferido na troca de tiros.
Carlos Eduardo Sundfeld Nunes dirigia um carro roubado quando foi perseguido pela Polícia Civil em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM)Carlos Eduardo dirigia um carro roubado de Mateus
(Foto: Divulgação/PM)
Cadu tentou fugir, mas foi rendido por policiais militares que passavam pelo local. Com ele, a polícia apreendeu um revólver calibre 38 prateado, mesma descrição da arma que matou o rapaz. Detido na Delegacia Estadual de Investigações Criminais, o jovem foi transferido na quarta-feira (4) para o Núcleo de Custódia após a Justiça decretar a prisão preventiva dele.
O advogado visitou Cadu apenas no dia em que os policiais o prenderam, acompanhado do pai do suspeito. Sérgio relatou que não conversou com o cliente sobre a autoria dos fatos. “Perguntei se ele estava bem e ele disse que estava. Mas, aparentemente, ele estava transtornado, fora de si pelo uso de entorpecentes, de remédios, pela esquizofrenia, e pelos hematomas que ele sofreu no momento da prisão por ter pulado do carro em movimento”, disse o advogado.
A defesa informou ainda que a família, no momento, não tem condições de cuidar de Cadu. “Eles [pais] estão em choque, abalados, ninguém imaginava que isso pudesse voltar a acontecer. O Cadu é um problema de estado. Eles não têm estrutura emocional, econômica. Já passaram por isso uma vez e estão vivenciando tudo de novo”, relatou o advogado.
Suposta vítima de Cadu pediu ajuda após ser baleada em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ Câmera de segurança)Suposta vítima de Cadu pediu ajuda após ser
baleada (Foto: Reprodução/ Câmera de segurança)
Câmeras de segurança
Câmeras de segurança ajudaram a polícia a identificar Cadu como sendo o autor dos disparos feitos durantes os dois crimes, que ocorreram no Setor Bueno. No último caso, imagens mostram o suspeito caminhando pela rua onde ocorreu o crime com um comparsa e fugindo no veículo. Dono do autómovel, Mateus foi baleado ao deixar a namorada em casa.Imagens registraram quando ele, já ferido, entrou no prédio para pedir ajuda.
O momento em que o agente penitenciário foi baleado também foi registrado por circuitos de segurança. No vídeo, é possível ver quando a vítima reage ao assalto e luta com o criminoso, que atira na cabeça do servidor e foge com a ajuda de um comparsa.
Liberdade
Mesmo após cometer o duplo homicídio há quatro anos, Cadu estava em liberdade porque possui esquizofrenia e a Justiça o considerou inimputável, ou seja, incapaz de perceber a gravidade de seus atos. A doença mental não tem cura, mas tem controle, desde que seja tratada. Atualmente, ele cursava psicologia e trabalhava como limpador de piscinas.
Incluído no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), em Goiânia, onde a família dele mora, Cadu passou por tratamento em uma clínica psiquiátrica, mas, em agosto de 2013, a Justiça de Goiás considerou que ele podia receber alta médica. A decisão foi tomada pela juíza Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções Penais. Na terça-feira, ela explicou em entrevista coletiva que tomou todas as precauções no processo de soltura de Cadu.
A medida foi embasada na avaliação médica do Tribunal de Justiça de Goiás, feita em junho daquele ano, em que o rapaz recebeu parecer favorável à liberação. Segundo a decisão, Cadu estava apto a passar a fazer tratamento ambulatorial, em vez de ficar internado.
FONTE:http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/09/defesa-pede-que-vigilancia-de-cadu-seja-redobrada-em-presidio-de-goias.html

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