sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Fernando Pimentel promete governo participativo em Minas Gerais

Governador assinou o ato de nomeação dos secretários e reafirmou, em discurso ao público, o compromisso de fazer um governo com a participação de todos

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Fernando Pimentel e Alberto Pinto Coelho na sacada do Palácio da Liberdade
PUBLICADO EM 01/01/15 - 13h57
Com a promessa de “uma Minas para todos os mineiros”, tomou posse na manhã desta quinta-feira (1º) o novo governador do Estado, Fernando Pimentel. A cerimônia ocorreu na Assembleia Legislativa, de onde ele seguiu para a transmissão do cargo no Palácio da Liberdade, sede histórica do governo mineiro. O governador assinou o ato de nomeação dos secretários e reafirmou, em discurso ao público, o compromisso de fazer um governo participativo.
“Todos os mineiros serão ouvidos. Minas Gerais não tem dono, não tem rei, não tem imperador. Soberano nessa terra é o povo que aqui habita. Cheguei aqui caminhando lado a lado com todos os mineiros. Vou fazer um governo mais próximo das pessoas, não um governo do eu, mas um governo de todos. As ruas sabem mais do que os gabinetes, todos queremos participar e todos vão influenciar nas decisões do governo. A forma de governo tem que ser contemporâneo, se reinventar, empoderar os únicos e verdadeiros donos do poder: os cidadãos e cidadãs de Minas Gerais”.

Fernando Pimentel recebeu o cargo de Alberto Pinto Coelho (PP), que foi eleito vice-governador em outubro de 2010 na chapa encabeçada por Antonio Anastasia. Ele assumiu o cargo de governador em abril, quando Anastasia deixou o governo para concorrer ao Senado. Pinto Coelho desejou sucesso à gestão de Pimentel. “O êxito do governo significa o êxito do nosso povo mineiro”.
Ao lado do vice-governador Antônio Andrade, o petista Fernando Pimentel venceu as eleições em primeiro turno, com 52,98% dos votos válidos, obtendo a preferência de 5,36 milhões de eleitores. O segundo colocado foi Pimenta da Veiga, candidato pelo PSDB, que teve 41,89%. Entre os compromissos da campanha está a construção de mecanismos de participação popular no governo.
Nesta terça-feira (30), o governador anunciou mudanças no organograma da administração, criando quatro secretarias: Recursos Humanos, como parte da política de valorização dos servidores; Desenvolvimento Agrário, para cuidar da agricultura familiar; Direitos e Cidadania, responsável pelos Direitos Humanos e Esportes, resultado do desmembramento da atual Secretaria de Estado de Esporte e Turismo.
A mudança também extinguirá o Escritório de Prioridades, que tem status de secretaria; a Ouvidoria-Geral do estado passa a ser subsecretaria vinculada à Secretaria de Direitos e Cidadania e a Representação do Estado em Brasília também perde o status de secretaria e se submete à Secretaria de Governo.
Veja com foi a posse
Pimentel é economista e iniciou a vida política nos movimentos estudantil e sindical na década de 1970. Perseguido pelos órgãos de repressão, chegou a viver na clandestinidade e foi preso na ditadura militar. Em 1993, foi secretário da Fazenda de Belo Horizonte. Ele também ocupou a Secretaria de Governo, Planejamento e Coordenação-Geral da capital mineira.
Em 2000, Pimentel foi eleito vice-prefeito na chapa liderada pelo médico Célio de Castro, assumindo o cargo em 2003, após Castro sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), e se reelegeu em 2004 no primeiro turno. Em 2010, disputou a eleição para o Senado, mas perdeu para Aécio Neves, assumindo, em 2011, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Após as cerimônias, Pimentel segue para Brasília, onde acompanha a posse da presidenta Dilma Rousseff.
Quem foi à posse de Pimentel, espera o quê?
Discurso
Leia na íntegra o discurso de Fernando Pimentel na cerimônia de transmissão de cargo no Palácio da Liberdade:
Bom dia Minas Gerais!
Bom dia queridos amigos e amigas de todo Estado.
Bom dia a todos que vieram aqui.
A minha primeira palavra hoje para cada um de vocês aqui é obrigado, muito obrigado!
Se hoje assumo a missão de governar o nosso Estado pelos próximos quatro anos é porque o povo mineiro me trouxe até aqui.
E devo agradecer essa confiança que eu recebo com gratidão, mas também com enorme senso de responsabilidade. Obrigado mineiros e mineiras por sonharem junto comigo um Estado mais integrado, mais próspero, mais justo.
Obrigado a todos. Aos mais próximos. Aos meus familiares que estão aqui, minha irmã, meus filhos, Mathias e Irene, minha querida Carol, meus companheiros de militância, meu amigo e vice-governador Antônio Andrade, a todos que se empenharam pelo resultado que hoje celebramos, mas também obrigado aos mineiros e mineiras das regiões mais distantes que se uniram a nós e construíram esse triunfo que não é pessoal, mas é, sim, uma conquista coletiva, um governo eleito pelo anseio de participação de todos os mineiros e de todas as mineiras. Obrigado por compartilharem comigo seus desejos e suas esperanças. Nós estamos juntos nessa caminhada e assim continuaremos nesses próximos quatro anos, se Deus quiser.
Meus amigos e minhas amigas, os governos normalmente se definem e definem seu lugar na história pelos avanços que conseguem conquistar. São as transformações concretas, os benefícios palpáveis, as mudanças reais e objetivas para melhorar a vida das pessoas que constituem a marca de qualquer gestão, mas os governos possuem também aspectos simbólicos e o primeiro simbolismo dessa jornada, que agora se inicia, eu quis enfatizar com a minha própria chegada nessa cerimônia.
Não chego sozinho a este que é o mais honroso posto que um mineiro pode aspirar, o de representante da nossa querida Minas Gerais. Fiz questão de chegar a esse palácio, cruzando a Praça da Liberdade, ao lado de mineiros e mineiras de todas as regiões, de diferentes credos, de diferentes etnias e classes sociais.
Mineiros que foram ouvidos, que participaram ativamente da construção desse novo caminho que hoje se inicia, que compartilharam seus conhecimentos e suas experiências comigo. Mas, sobretudo, que desejam que essa terra seja mais generosa, mais aberta, mais carinhosa com nosso povo. Esperam de nós, homens públicos, retidão, presença e compromisso. Esperam um governo que seja realmente de todos.
Mais do que um gesto simbólico, nessa caminhada, eu assumo a posição para qual fui eleito lado a lado com esses mineiros e mineiras que representam todos os filhos da nossa terra. À dona Lavínia que está aqui, que veio lá do Norte, lá do São Francisco, quero dar a minha palavra de que seremos mais presentes e atenciosos com a região dela. Está aqui conosco a Kelly, do Aglomerado da Serra, e eu quero levar para ela e para todos o meu compromisso de levar aos bairros mais necessitados do nosso Estado, de todas as cidades, soluções para que todos tenham uma casa digna e o respeito que merecem. Está aqui conosco seu José Mário, produtor de queijo lá na Serra da Canastra, não é seu José Mário? Tivemos juntos lá. Quero garantir a ele, e ele tem que ter a certeza de que os produtores rurais do nosso Estado terão um governo que vai honrar a atividade deles.
A todos os mineiros e a todas as mineiras o compromisso nosso, meu e do Antônio Andrade, de que serão ouvidos sem nenhum tipo de discriminação. Eu disse na campanha e quero repetir aqui e agora, Minas Gerais não tem dono, não tem rei, não tem imperador. Engana-se quem imagina que pode subordinar a vontade dos mineiros. Soberano nessa terra é o povo que aqui habita e que faz desse Estado o coração do Brasil. Por isso, cheguei a essa solenidade da mesma forma com que percorri, eu e o Antônio Andrade, todo o Estado ao longo dessa campanha memorável de 2014, com humildade, com dedicação, ouvindo meus conterrâneos e caminhando, lado a lado, com todos os mineiros e mineiras.
Tenho a consciência de que o povo de Minas não escolheu uma pessoa, mas sim um ideal, o de um Governo mais próximo às pessoas, um governo do nós e não do eu, um governo de todos.
Meus amigos e minhas amigas, essa sacada aonde eu estou não é um ponto de chegada, não é um ponto de partida, não é trampolim para lugar nenhum. Esse é apenas mais um passo de uma caminhada longa, mais uma etapa da jornada que começou muito antes de nós e que não vai se encerrar conosco.
Portanto, aqui e agora, vamos render nossas homenagens a todos aqueles que lutaram por Minas e pelo Brasil, e que se sacrificaram pela liberdade, pela democracia e pelos Direitos Civis. Que a memória e o exemplo desses heróis nos inspirem na busca sempre, permanente, de um Governo aberto, democrático e participativo, que não ficará trancado nos gabinetes e nem será refém de planilhas e de números, um Governo de todos.
Ao longo desse ano nós repetimos diversas vezes e vou dizer de novo aqui: as ruas sabem muito mais do que os gabinetes. E a grande mensagem do povo mineiro nessas eleições foi de que todos somos iguais, todos temos o direito de participar, todos queremos e iremos influenciar as decisões do Governo. Nesse início do século XXI, o mundo atravessa grandes transformações, a sociedade está conectada e as pessoas nas redes sociais, em casa, no trabalho, nas escolas, possuem ferramentas tecnológicas que permitem expressar cada vez mais o que elas querem. Está todo mundo ávido por participar. Por isso, a forma de Governo tem que mudar. A mudança não é apenas a posse de um novo governador, mas é a criação de um novo conceito de governar.
O Governo do novo, do contemporâneo, do mundo em que vivemos não é aquele governo que se escora e se esconde atrás de castas sejam elas tecnocráticas, sejam elas do poder econômico. Um governo do novo é o que se reinventa e tem como premissa fundamental a de ouvir mais, de se abrir mais e de empodeirar os únicos e verdadeiros donos do poder, os cidadãos e as cidadãs de Minas Gerais.
Quero ser o governador que não será uma voz, mas, sim, um porta-voz, um porta-voz da vontade popular. Para isso, vamos criar e fortalecer canais de participação, de comunicação, de interferência e de influência nas decisões de poder. O governo do novo, o governo que queremos tem que atuar como uma grande e pulsante plataforma interligada interativamente com as pessoas.
Essa é a minha missão, esse é o meu compromisso: menos poder para o governo, mais poder para as pessoas. Menos poder para poucos, mais poder para todos. O futuro das pessoas não tem que estar nas mãos, às vezes arbitrárias, dos governos. Os governos é que têm que estar nas mãos das pessoas, através de soluções tecnológicas, de processos políticos que garantam a participação de todos e deem forma a esse desejo coletivo de colaborar e de participar.
Meus amigos e minhas amigas, eu quero reafirmar agora, nesse momento, os compromissos da jornada eleitoral que empreendemos juntos, eu e meu vice-governador, companheiro e amigo, Antônio Andrade. Faço, em nosso nome, mas também em nome de todos os que acompanharam essa coligação vitoriosa. Assumo o compromisso de valorizar e dialogar com o funcionalismo público do Estado. Assumo o compromisso de transformar os hospitais regionais não em projetos de propaganda, mas em equipamentos úteis em todas as regiões, e de expandirmos o atendimento médico para toda a população. Assumo a meta de levar escolas infantis e ensino técnico para todo o Estado. Assumo a tarefa de aumentar a eficiência e a eficácia do nosso aparato de segurança. Assumo o compromisso de dialogar, de forma transparente e republicana, com todos os prefeitos e ajudá-los na busca por soluções para suas cidades. Assumo, enfim, este que é o maior desafio da minha vida pública, consciente de que não é possível fazer tudo, mas com a determinação de fazer tudo que for possível.
Nós sabemos que vamos enfrentar uma quadra difícil em nosso país, em nosso Estado. Mas eu quero aqui renovar as minhas mais profundas esperanças em nossa terra, em Minas e no Brasil. Nessa manhã, ainda há pouco, na Assembleia Legislativa, mencionei a admirável construção política e sólida que foi Minas Gerais, construída a nossa terra, nosso território, nosso Estado. Nós não somos apenas Minas, mas também não somos só as Gerais. Nós somos um todo, porque somos Minas Gerais e Minas Gerais sempre foi maior do que os indivíduos.
Minas Gerais sempre foi mais forte quando assumiu e colocou o interesse de seu povo acima de qualquer outro. Quero iniciar uma nova etapa, a de um governo de todos para o bem de toda Minas Gerais. E mais do que nunca, eu vou contar e preciso contar com o apoio da nossa gente para compartilhar essa tarefa histórica: transformar nosso Estado em uma terra cada vez mais justa, mais próspera, mais solidária e mais fraterna.
Vamos todos juntos fazer o governo de todos e que Deus nos ilumine e guie nossos passos.
Viva Minas Gerais!
Muito obrigado!

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