terça-feira, 24 de março de 2015

Denúncias de assédio sexual a PMs de Patrocínio são averiguadas


Denúncias contra tenente foram feitas por policiais da cidade.
Audiência pública será realizada nesta quarta-feira (25), na ALMG.

Caroline AleixoDo G1 Triângulo Mineiro
Batalhão PM Patrocínio (Foto: Leomar Roberto Gonçalves/Arquivo Pessoal)Policiais do Batalhão PM Patrocínio se dizem vítima
de assédio (Foto: G1)
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promove nesta quarta-feira (25) uma audiência pública para averiguar denúncias de assédio sexual envolvendo policiais militares na cidade de Patrocínio, no Alto Paranaíba.

Segundo o autor do requerimento da reunião, deputado Cabo Júlio (PMDB), quatro policiais femininas foram assediadas por um tenente lotado no 46º Batalhão da Polícia Militar.
O comandante do 46º BPM, tenente-coronel Danny Eduardo Stochiero Soares, assumiu o comando da região neste ano, mas informou estar ciente do caso e aguarda a liberação da instituição para que possa participar da audiência.
Permitir que oficiais da PM pratiquem assédio sexual contra subordinadas fere o nosso ordenamento jurídico".
Cabo Júlio, deputado estadual
As queixas foram registradas entre os anos de 2013 e 2014 e a única punição estendida ao suspeito foi a transferência para o batalhão de Patos de Minas, também no Alto Paranaíba.
O deputado defende que, nesses casos, a transferência deveria ser feita para outra região geográfica e que o tenente deveria responder criminalmente pelas acusações.
Em entrevista ao G1, o representante da Comissão de Direitos Humanos contou que quatro soldados do 46º BPM denunciaram o superior após receberem notas baixas na avaliação de desempenho. Os fatos aconteceram, coincidentemente, depois que as vítimas não cederam às cantadas do suspeito. “Elas sempre recebiam nota alta e de repente começaram a ser avaliadas com notas baixas porque não se submeteram às investidas dele. Foi uma forma de prejudicá-las e isso é um absurdo”, disse o deputado.
Ainda de acordo com Júlio, as policiais geralmente eram abordadas por conversas no Facebook. Em uma delas, o marido se fez passar pela profissional e confirmou o assédio sexual cometido pelo militar contra a esposa.

A partir do momento que o tenente foi transferido de comando, houve relatos de que as vítimas sofreram represálias de amigos do oficial, que continuam lotados no batalhão de Patrocínio. 
Durante a audiência, a Comissão irá requerer que outro órgão superior reavalie as notas das soldados, que cobre esclarecimentos sobre o assunto e irá pedir medidas mais drásticas por parte da instituição. “Permitir que oficiais da PM pratiquem assédio sexual contra subordinadas fere o nosso ordenamento jurídico e os ideais pregados pela instituição”, defendeu o político, que também é advogado e militar reformado.
Todos os envolvidos nas denúncias foram convocados a participar da audiência pública, que será às 9h, no auditório da Assembleia em Belo Horizonte. Também foram chamados os representantes do Comando, da Corregedoria da Polícia Militar, de associações de classe e do Ministério Público Estadual.
Sobre as denúncias de novos constrangimentos às policiais, o tenente-coronel Danny disse não ter conhecimento e, caso as vítimas informem ao comando, serão tomada todas as providências cabíveis.

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