sábado, 8 de agosto de 2015

Polícia x investimentos

Artigo de hoje Jornal Gazeta Norte Mineira:

POLÍCIA CIVIL X INVESTIMENTOS

(*) Bruno Rezende da Silveira

Diariamente, a nossa sociedade é surpreendida com notícias de crimes de homicídios que chocam, seja pela barbaridade, por atingir famílias ou pessoas inocentes, ou mesmo na guerra do tráfico que, em sua maioria, vitima pessoas cada vez mais jovens, com enormes prejuízos para o país. Assim, há uma exigência, uma cobrança da atuação das polícias para o combate a este tipo de crime, que vem desde as investigações preliminares, a prisões dos autores culminado com a conclusão dos inquéritos policiais. Muito tem sido feito e muito ainda há para se trabalhar, porém, cada dia mais é exigido da Polícia Judiciária, da Polícia Civil, que se torne mais eficiente e celere na apurações, em contraponto a uma estrutura deficitária em que os policiais (que são insuficientes para demanda) estão trabalhando em condições extremas de exigência e esforço, mas mantendo um padrão de excelência, principalmente nas investigações de homicídios. A Sociedade têm denunciado e cobrado respostas para a escalada dos índices de homicídios registrados nos últimos anos. O que pontuamos é a falta de estrutura para trabalhar e o esgotamento dos investimentos na área de Segurança Pública. Mas, apesar disto, temos em Montes Claros, através da Delegacia de Homicídios, o combate incisivo aos crimes registrados, inclusive tentativas de homicídios e latrocínios, culminando com autores presos, investigações concluídas e o trabalho efetivo realizado com muito sacrifício por toda a equipe da Delegacia, superando as limitações existentes, restando, porém, muitos casos sem apuração, diante das deficiências apontadas, o que no aflige e nos exige novas posturas e novos enfrentamentos. Devemos observar, com o intuito de aumentar a eficiência da Polícia Civil, a urgente e real necessidade de mais investimentos em estrutura e efetivo policial, para conseguir um resultado não somente mais eficaz, mas com trabalho efetivamente diferenciado em relação aos casos registrados de homicídios, sob pena de vermos cada vez mais acumulados os casos cuja investigação não surtiu efeitos para correta apuração da autoria, motivação, circunstâncias e dinâmica do crime, deixando de serem restauradas as relações sociais rompidas e desestruturadas com o fato ocorrido. Precisamos de esforços concentrados do Estado e da Sociedade para que a Polícia Civil seja, verdadeiramente, priorizada com recursos e investimentos, traduzindo-se como um dos pilares fundamentais para a construção e solidificação do Estado Democrático de Direito: Não há Sociedade justa sem polícia investigativa, sem investigação eficiente, sem colheita de provas dentro dos patamares constituicionais e judiciais admitidos. Anuncia-se investimentos na melhoria das condições de trabalho e na estrutura da Polícia Civil como uma das prioridades do Governo de Minas para fortalecer as ações da instituição e aumentar a segurança da população do Estado. Sim. A sociedade precisa de uma Polícia Civil bem equipada, motivada, bem treinada, uma polícia estimulada a cumprir o seu dever, com as condições necessárias para desempenhar bem o seu papel. Sabemos das dificuldades econômicas que o país tem enfrentado. Álias, são dificuldades que atingem toda a sociedade. Mas, os investimentos em segurança pública devem ser priorizados e atendidos de forma emergencial, principalmente no que diz respeito ao aparelhamento e capacitação dos policiais que atuam diretamente em investigações criminais, as Polícia Civis dos Estados. As investigações criminais, para que sejam eficientes e para que atinjam seus objetivos que incluem identificar a autoria e retirar os criminosos do convívio social, precisam de profissionais motivados e preparados, e antes disto, de uma válida e operante estrutura tecnológica e pericial. Hoje, muitas vezes, a Segurança Pública e as investigações criminais são feitas com enorme sacríficio pessoal dos profissionais envolvidos que superam (ou tentam superar) as dificuldades apontadas, em detrimento da saúde, da família e deu próprio bem estar. Sigamos em frente. Não podemos e não vamos parar, pois nosso ofício é nossa vida e nossa missão. Seguimos com a esperança de dias melhores e para isto é preciso que as promessas sejam cumpridas proporcionando assim à população a segurança pretentida, mas fica a certeza de que nenhum esforço será medido para a apuração e consequente redução dos crimes de homicídios em nossa cidade.

(*) Chefe da Delegacia Especializada de Homicídios de Montes Claros Especialista em Segurança Pública

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