sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Escalonamento provoca endividamento de servidores de MG


Método de pagamento parcelado dos salários pelo governo do estado deveria durar apenas três meses, mas vai completar um ano em janeiro. Constantes atrasos também prejudicam o planejamento das famílias.

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Servidores de MG sofrem há um ano com o escalonamento dos salários (Crédito: Raquel do Carmo - Aspra/PMBM)
Servidores de MG sofrem há um ano com o escalonamento dos salários
Crédito: Raquel do Carmo - Aspra/PMBM
Por Débora Costa
'Nós estamos tendo que nos socorrer através de empréstimos, empréstimos bancários, consignados, para cobrir os compromissos assumidos. E essa falta de perspectiva, ela está levando os policiais militares a buscar uma outra alternativa: é arrumar um outro trabalho além da polícia.'
Este policial militar, que pediu para não ser identificado, é um dos cerca 156 mil servidores ativos e inativos do governo de Minas Gerais, que há um ano vem recebendo salários parcelados de duas ou três vezes. Ele relatou à CBN que está com várias dívidas, não consegue arcar em dia com pagamentos básicos como escola dos filhos e contas.
E se não bastasse o escalonamento, pelo menos outros 468 mil recebem a remuneração integral geralmente após o dia 10 do mês, mas que deveria ser paga no quinto dia útil. Como é o caso da técnica de enfermagem Maria Alice Miranda, de 49 anos. Ela relata que o salário sempre vem com atraso e com isso, as contas não são pagas.
'A gente já ganha pouco e ainda tem que pagar com juros? Porque a nossa conta, que chega em nossas casas, as nossas obrigações, tem que ser cumpridas em dia e o governo não repõe esses juros. Então a gente está levando prejuízo.'
O escalonamento dos salários dos servidores mineiros foi anunciado pelo governo no dia 15 de janeiro de 2016, como a única solução para pagar todos os funcionários, por causa da crise financeira vivida pelo Estado. Na época, o governo justificou que iniciou o ano com um déficit de R$ 9 bilhões e que gasta R$ 3,1 bilhões somente com a folha salarial.
Quando foi anunciada, a medida gerou a ira dos servidores, que fizeram vários protestos contra o governador Fernando Pimentel, do PT.
Durante 2016,  líderes sindicais e as categorias se reuniram para chegar a uma outra solução, mas sem sucesso. Foram várias ameças de paralisações e greve, mesmo assim, o escalonamento foi mantido.
Assim, os servidores tiveram que se adaptar à nova realidade. A diretora de uma escola estadual na cidade de Morada Nova, na região Central de Minas, Maria Helena Martins, de 50 anos, conta que teve que reajustar a vida financeira.
"A primeira parcela tem saído quase até o dia 15, então a gente tem que se readaptar, principalmente por causa de débitos, de contas. Eu pelo menos reagendei tudo, corri atrás de banco, tudo que for possível, pra ficar trocando as datas, pra dar certo".
Em nota, a Secretaria de Estado de Fazenda afirmou que, nesse primeiro ano, pagou todos os salários dentro do cronograma estabelecido com os sindicatos dos servidores. O escalonamento será mantido até março deste ano. A partir daí, o governo vai avaliar com os sindicatos como o pagamento será feito.

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