quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Governo investiga áudios com ameaças contra agentes penitenciários

VEJA O VÍDEO SOBRE A AMEAÇA




Segundo agente penitenciário do Ceresp da Gameleira, que preferiu não ser identificado, trabalhadores contratados, mesmo sem porte de armas, pretendem andar armados para proteção pessoal

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dutra ladeira, ribeirao das neves, motim
Em uma das mensagens que circulam nas redes sociais, bandidos pedem endereços de agentes da penitenciária Dutra Ladeira, que foi palco de uma rebelião nesta segunda-feira (1
PUBLICADO EM 17/01/17 - 18h51

Agentes penitenciários contratados, que não possuem porte de arma, pretendem andar armados mesmo contra a lei para garantir a segurança pessoal quando não estiverem nas unidades prisionais. A afirmação foi feita nesta terça-feira (17) por um trabalhador do Ceresp Gameleira, na região Oeste de BH, depois que diversos áudios e mensagens começaram a circular nas redes sociais, supostamente gravados por detentos e ex-presidiários, com ameaças de morte contra agentes da segurança pública em toda a região metropolitana da capital mineira. A veracidade das mensagens é investigada pela Secretaria de Administração Prisional (Seap).
"A gente já não pode ir em um supermercado, um shopping ou uma praça tranquilos. Sempre recebemos ameças nos últimos anos, mas agora é diferente. A gente está temendo pela nossa vida e de quem a gente ama. A maioria de nós vive em bairros pobres, com nossos filhos, mulheres, mães. A gente trabalha com pistola .40, fuzil, lá dentro das cadeias. Mas nas ruas, para nossa defesa, nem uma garrucha podemos ter. O jeito vai ser andar fora da lei", afirma o agente que não quis ser identificado.
Com medo de retaliações, outros agentes optaram por não conceder entrevista para tratar sobre a possibilidade de usarem armas apesar da ausência do porte de armas. 

Nas mensagens que vem sendo compartilhadas exaustivamente entre os agentes penitenciários mineiros, é possível ouvir diversas vozes diferentes, dando a entender que trata-se tanto de presos quanto de "bandidos" do lado de fora, organizando ataques a serem realizados na grande BH. "Espalha esse áudio meu para a geral, entendeu, para as quebradas tudo (sic) que tiver ouvindo nós de BH. Tem que começar a passar o carro nos agente, tem que começar a matar os cara", diz uma das mensagens, que é atribuída a um ex-presidiário que está fugido de uma unidade prisional, identificado pela alcunha de Fubá.
Escute uma das mensagens: 
Em outro áudio atribuído à este mesmo foragido da Justiça, ele chega ameaçar um agente em específico, que segundo fontes de O TEMPO, atuaria no Presídio de Sabará e é dono de uma borracharia na avenida Bernardo Vasconcellos. "Vejo bandido pegando na mão de agente, trocando ideia. Bota é bom é morto (...) Se quiser eu inicio na minha quebrada, sei que tem um que é agente. Na Bernardo Vasconcellos lá o *** é agente, o carro já vai passar nele e mais uns", afirma.
Uma mensagem de texto que também roda entre os servidores dos presídios afirma que facções criminosas (PCC, CV e ADA) estariam oferecendo prêmio de R$ 5 mil por cada trabalhador de segurança (policial, guarda municipal ou agente penitenciário) morto. Em outras mensagens de voz, um dos suspeitos pede que arrumem endereço da casa de agentes da penitenciária Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, que vivenciou um motim na noite desta segunda-feira (16).
"Os amigo (sic) cedeu para nós duas kit rajada completa, uma matraca, um carro bom roubadão de fuga, e um tanque cheio. Vou pedir ajuda para todo mundo para nós (sic) mobilizar uma operação aqui em BH para dar uma resposta", diz outro áudio.
Procurada por O TEMPO, a Secretaria Adjunta de Estado de Sistema Prisional (Seap) informou apenas que "está apurando as circunstâncias de todos os áudios e vídeos gravados supostamente dentro de uma unidade prisional e que circularam nas redes sociais".
Medo
O agente penitenciário que não quis ser identificado conta que os agentes contratados sempre foram ameaçados, mas que diante destes áudios, o medo chegou a um limite intolerável. Com isso, ainda segundo ele, a grande maioria dos contratados já está buscando formas de, a partir desta terça-feira, andarem armados. "É a nossa vida que está em jogo. Como não temos apoio algum, vamos ter que andar de encontro a lei para garantir que cheguemos bem em casa para a nossa família, mesmo correndo risco de sermos presos por porte ilegal", completou.
Ainda de acordo com o agente penitenciário, existe uma grande omissão por parte dos diretores das unidades prisionais com os servidores contratados. No Ceresp da Gameleira, seriam 900 presos para pouquíssimos agentes de plantão. "Os efetivos (concursados) ficam na muralha ou fazendo serviço interno, bem longe dos presos. Enquanto isso, a direção nos obriga a ir dois, três agentes, para abrir a cela de 30 presos. Já ficou cinco agentes para cuidar do banho de sol de 120 detentos. E, se reclamar, só mandam avisar que o contrato vai vencer", finaliza. 

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