quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Número de casos de febre amarela em Minas pode ser maior que o oficial


Testes preliminares indicam que pelo menos oito óbitos no estado foram provocados pela doença transmitida pelo mosquito. No entanto, decreto aponta 17 óbitos confirmados e, somente em Teófilo Otoni, foram notificados sete casos da doença e quatro mortes.

 
    
 postado em 12/01/2017 06:00 / atualizado em 12/01/2017 08:13

Fábio Souza/Divulgação
Exames preliminares feitos em pessoas que morreram em Minas Gerais com suspeita de febre amarela silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus, já indicam que esta foi a causa de pelo menos oito óbitos no estado. As mortes estão entre as 14 até então informadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) desde o anúncio, feito no início da semana, da ocorrência de um surto da doença registrado nos primeiros dias deste ano. A SES trata as mortes como prováveis, termo que denota a existência de exame laboratorial reagente para a febre amarela, mas que ainda demanda investigação epidemiológica, históricos de vacinação e dos deslocamentos desses pacientes para a confirmação final. Pelo balanço divulgado na noite de ontem pela secretaria, o número de casos suspeitos salta de 23 para 48, sendo que 16 são considerados prováveis.

O surto de febre amarela colocou pelo menos 16 municípios em alerta, por terem notificado casos e óbitos suspeitos pela doença ou pela ocorrência de epizootias (morte de primatas).  Todos os registros estão sob investigação. Embora não apareça na lista da SES de municípios com casos notificados, Teófilo Otoni decretou ontem situação de emergência devido ao que chamou de “epidemia por doenças infecciosas virais”, referindo-se à febre amarela em cidades de sua microrregião para as quais ele é referência (leia texto nesta página). Pela lista da SES divulgada ontem, Setubinha passa a compor a área de atenção, com um caso notificado. Foram identificadas quatro Unidades Regionais de Saúde com registro de epizootias e casos prováveis de febre amarela silvestre em Minas.

Até ontem, pelo menos três secretarias de saúde informaram ter recebido as confirmações positivas por parte das superintendências regionais da SES às quais estão vinculadas. Além de Ladainha, no Vale do Mucuri, que havia confirmado dois óbitos por febre amarela na terça-feira – entre os 10 que registrou com suspeita da doença –, Caratinga e Malacacheta também informaram, ontem, que exames feitos em seus pacientes atestaram a ocorrência de febre como causa dos óbitos. Todos  dependem ainda de uma contraprova da Fundação Ezequiel Dias (Funed).
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Desde segunda-feira, quando o governo do estado divulgou a ocorrência de um surto de febre amarela silvestre em Minas, 15 municípios estão em alerta por terem recebido as notificações de casos e óbitos. Em Caratinga, no Vale do Rio Doce, a prefeitura informou que dos oito óbitos suspeitos na microrregião onde está a cidade, quatro já tiveram uma primeira comprovação. Porém, para que a causa seja tornada oficial, o Ministério da Saúde exige uma contraprova, que ainda não foi feita e a Funed está conduzindo as investigações. De acordo com o secretário de Saúde da cidade, Giovanni Corrêa da Silva, até o momento foram 79 casos notificados apenas na microrregião de Caratinga, incluindo os oito óbitos nas cidades de Imbé de Minas, Piedade de Caratinga e Ubaporanga. Entre eles está o de uma adolescente que praticava ecoturismo.

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