terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Seap quer que 604 detentos do semiaberto sejam soltos no Amazonas


Secretaria vai pedir da Justiça que presos possam cumprir pena em liberdade para evitar que eles entrem com armas nos presídios24/01/2017 às 10:13 - Atualizado em 24/01/2017 às 10:16
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Entre os materiais encontrados na revista desse domingo no Compaj estão munições, celulares e armas brancas (estoques). Foto: Divulgação
Joana QueirozManaus (AM)
A Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap) vai consultar a Vara de Execuções Penais (VEP)  sobre a  possibilidade colocar em liberdade os 604 presos que atualmente estão cumprindo pena em regime semiaberto no Estado. Segundo o  secretário  Cleitiman Coelho, o objetivo principal é  evitar que eles continuem entrando com objetos não permitidos para dentro do regime  fechado dos presídios. Além disso, a soltura seria uma forma de  manter  um maior controle sobre os presos, uma vez que  todos usariam tornozeleira eletrônica.
Os detentos do semiaberto, aqueles que têm de dormir no presídio, ficariam  livres até que fosse construído um prédio para abrigá-los distante do regime fechado. Conforme o secretário, atualmente, os presos do semiaberto saem e entram das unidades prisionais sem nenhum controle. “Avaliamos e chegamos à conclusão de que seria mais eficaz esse preso estar na rua com o controle da tornozeleira”, disse o secretário.
Cleitman Coelho está otimista. Ele acredita que a VEP vai acatar a sugestão e estima que a liberação dos presos deve acontecer “num futuro bem próximo”. O secretário disse que já está em contato com o juiz Luis Carlos Valois, titular da VEP,  e com o Ministério Público estadual (MP-AM) para viabilizar a soltura. 
Para que todos sejam postos em liberdade, Cleitman Coelho  afirma que será necessário um sistema de monitoramento em tempo real, para  identificar o local onde o monitorado está e o trajeto dele.
Enquanto o plano de soltura não tem o aval da Justiça para ser  colocado em prática,  o secretário aifrmou que  conversando com a empresa que administra o regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a Umanizzare,  para que seja instalada uma cerca de arame entre os dois sistemas para evitar que objetos sejam jogados de um lado para o outro.  
“Estamos fazendo um trabalho de inteligência e de acompanhamento no Compaj, com um sistema de câmeras. Hoje, vejo todo corredor, as alas, as pessoas que têm acesso aos presos para distribuir comida para eles”, disse o secretário. De acordo com ele, há ainda a preocupação com as visitas e banho de Sol. Para evitar que material seja lançado para dentro onde há o banho de Sol, foram instaladas duas câmeras de monitoramento.
De acordo com o secretário, só este mês e depois da rebelião, o Compaj  já passou por quatro revistas e, em todas elas, foram encontrados celulares e armas brancas. No domingo, foram encontrados estoques, celulares e munições de armas calibres 38 e pistola ponto 40. Conforme Cleitman, as munições estavam  em uma cela do pavilhão 3.
Seap faz filtragem
Cleitman Coelho disse que, para evitar que armas e outros objetos proibidos continuem entrando nos presídios, a Seap está fazendo uma filtragem do que entra.  A entrada de alimentos perecíveis foi suspensa, assim como a entrada de gelo. “O objetivo é poder um dia afirmar que não tem mais arma dentro do presídio, mas hoje ainda é muito prematuro”, disse.
Armas de fogo ainda podem estar escondidas no Compaj
O secretário  não descarta a possibilidade de que ainda haja armas de fogo dentro do regime fechado do Compaj, mesmo depois das revistas minuciosas que vem sendo feitas no decorrer deste mês. De acordo com ele, no dia da rebelião, foram encontradas pelo menos dez armas: um rifle, uma escopeta e oito pistolas.
“Nesse momento em que a tensão ainda está em nível aceitável, eu não posso descartar essa possibilidade”, disse. De acordo com Cleitman, as  armas também podem estar escondidas no nos pavilhões do semiaberto. “É uma possibilidade, apesar de varreduras que foram feitas com detector de metais”, admitiu. “Tivemos a informação que as armas usadas no dia da rebelião saíram pelo semiaberto e é provável que elas ainda estejam lá”, completou.
Cleitman disse que os presos são peritos em abrir tocas nas paredes e pisos para esconderem armas, munições, droga, dinheiro, celular e carregadores. “Eles usam sabão, creme dental, qualquer tipo de massa ou creme, eles transformam em material para fazer esses esconderijos”, disse.

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