terça-feira, 12 de setembro de 2017

Policiais civis presos na 'Serendipe' são condenados em Uberlândia



Investigadores foram condenados a regime fechado, multa e perda de cargo público. Outros dois réus também constam em sentença de 1ª instância. Cabe recurso.

Por G1 Triângulo Mineiro

11/09/2017 19h47  Atualizado há 10 minutos

A Justiça condenou nesta segunda-feira (11) policiais civis presos na Operação "Serendipe", em Uberlândia, em junho de 2016. De acordo com a sentença do juiz Paulo Roberto Caixeta, da 4ª Vara Criminal da cidade, seis pessoas foram condenadas, das quais quatro são policiais civis na função de investigador. Os crimes citados na sentença são extorsão, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica.

A sentença é em 1ª instância e cabe recurso. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) disse que ainda não teve acesso às sentenças e que, por isso, ainda não sabe de irá recorrer das decisões.

De acordo com a sentença, os policiais condenados pediam propina de até R$ 100 mil para não investigarem e denunciarem crimes de receptação e de adulteração de veículo. Além disso, eles foram condenados nesses processos por alterar registros de ocorrência. Já os demais réus são condenados por corrupção, por aceitarem o pagamento da propina e estarem de posse de veículos com sinal adulterado.

O G1 tentou contato com a defesa de todos os réus citados na sentença, mas apenas os advogados de três dos denunciados se manifestaram sobre os clientes. Veja quem são os réus e as condenações:

Rodolfo Cardoso Ribeiro: policial civil condenado em dois processos por 24 anos, oito meses e dez dias em regime fechado, multa e perda de cargo. Ainda responde como réu em outros cinco processos.

O G1 entrou em contato com o advogado Marco Túlio Bosque, que defende o investigador. Ele informou que vai recorrer da decisão por entender que o réu é inocente.

Eduardo Lucas dos Reis: condenado em dois processos por 13 anos e quatro meses. Responde em liberdade.

O advogado Janhsermarks Pereira da Silva disse à reportagem que Reis negocia um acordo delação premiada com o Ministério Público e que não pretende recorrer da decisão do juiz.

Rodrigo Luiz Felix Borges: policial civil condenado em regime fechado em quatro processos a 30 anos e dois meses de prisão, multa e perda de cargo. Ele ainda responde como réu em outros seis processos.

O advogado de Borges, Rodrigo Pereira da Silva, informou nesta terça-feira (12) que vai entrar com recurso. Segundo ele, as condenações se basearam em delações premiadas sem comprovação material.

"Faltam provas e investigação que possam corroborar essas delações. A lei das delações premiadas impede que as delações premiadas se baseiem unicamente nesse fato. Acreditamos na inocência do nosso cliente e estamos prontos para refutar no TJMG, que temos confiança que vai aplicar a lei e reformar a sentença", disse Pereira.

Fabrício Alves da Rocha: policial civil condenado em dois processos a 10 anos e sete meses em regime fechado, multa e perda de cargo de investigador. Ainda responde como réu em três processos.Jonas Franzão Ferreira: condenado em regime semiaberto a cinco anos e quatro meses, multa e perda de cargo como policial. Não responde a nenhum outro processo.Rogério Bonfim de Almeida: policial condenado em dois processos por cinco anos e quatro meses em regime fechado.Rogério Alves Veloso: foi condenado a cinco anos e quatro meses em regime fechado. Responde como réu em outros processos.



Promotes Daniel Marotta e Adriano Bozola durante coletiva sobre operação Serendipe em Uberlândia (Foto: Bárbara Almeida/G1)

Operação 'Serendipe'

A operação "Serendipe" teve como foco a investigação de desvios de conduta por parte de policiais civis de Minas Gerais. A primeira fase foi deflagrada em 23 de junho de 2016 em Uberlândia e a última finalizada em julho de 2017. O promotor Daniel Marotta explicou o envolvimento dos policiais durante toda a operação.

"Tudo começou quando descobrimos que uma quadrilha de roubo de carga com sede em Uberlândia pagava propina para policiais civis com o objetivo de não serem presos. Ainda no ano passado, prendemos alguns policiais de Uberlândia e Uberaba envolvidos no caso e agora a última fase terminou com a prisão de mais quatro investigadores que atuavam em Belo Horizonte", explicou Marotta.

Os números finais da Operação "Serendipe" são: prisão de 18 policiais civis, nove lotados em Uberlândia, cinco lotados em Uberaba e quatro lotados em Belo Horizonte. Além disso, foram deflagrados mais de uma dezena de ações penais.

Eles são acusados pelo MPMG por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e permanecem presos na Casa de Custódia em Belo Horizonte.

De acordo com os promotores, os policiais faziam uma investigação paralela à da Polícia Federal (PF) e mapeavam duas organizações criminosas que atuavam no roubo de cargas na região. Em seguida, faziam o flagrante dos criminosos e os subornavam para que pudessem ser liberados, forjando o boletim de ocorrência.

UBERLÂNDIA

Nenhum comentário:

Postar um comentário